Após acusação de censura, Grupo Record e Prêmio Sesc de Literatura encerram parceria de 20 anos

De acordo com editora, ‘divergência com relação a novos caminhos do prêmio’ levou a rompimento em comum acordo; vencedores da tradicional láurea passarão a ser editados pelo Senac Rio

Após divergências públicas, o Grupo Record e o Sesc anunciaram o fim de 20 anos de parceria na realização do Prêmio Sesc de Literatura, uma das mais tradicionais láureas do mercado editorial. Parceira do prêmio desde a sua criação, em 2003, a Record era responsável por publicar os vencedores da categoria Romance e Contos, selecionados pelo edital do serviço. A partir do próximo ano, os livros premiados serão lançados pela editora do Senac Rio.

A separação já era esperada. Em janeiro, a demissão de Henrique Rodrigues, idealizador do Prêmio Sesc de Literatura e responsável por pela interlocução entre a organização e a editora, desagradou a Record e gerou dúvidas sobre o futuro da premiação. Rodrigues acusou o Sesc de tentar censurar o livro “Outono de carne estranha”, último vencedor do prêmio na categoria romance, sobre o amor entre dois garimpeiros.

Nova categoria em 2024

Através de sua assessoria, o Sesc informou que a troca de editora já vinha sendo discutido pela equipe responsável pelo Prêmio Sesc de Literatura com a finalidade de buscar novos modelos de divulgação para as obras e autores. A reformulação visaria a inclusão de uma nova categoria, para poesia, no edital de 2024.

“Os livros premiados em 2024 serão editados pela editora Senac Rio, instituição que publica obras de referência em todas as suas áreas de atuação”, informou o Sesc. “A Editora tem um forte compromisso com a cultura, a educação e o desenvolvimento”.

Também através de sua assessoria, o Grupo Editorial Record lamentou o fim da parceria. “Diante de divergências com relação a novos caminhos do prêmio, as duas partes decidiram interromper o seu acordo”, informou a editora. “Agradecemos ao Sesc pelos ótimos anos de parceria e desejamos sucesso à nova versão do prêmio”.

Anatomia de uma separação

As discordâncias entre a Record e o Sesc começaram a se tornar públicas este ano, após a demissão de Henrique Rodrigues, mas têm origem em novembro passado, durante a Feira Internacional Literária de Paraty (FLIP). Na ocasião, a leitura de um trecho com conteúdo sexual explícito do romance “Outono de carne estranha”, vencedor do Prêmio Sesc daquele ano, causou desconforto entre a direção do Sesc. Segundo a organização, o problema não foi o livro em si, mas a presença de crianças na plateia.

Na época, uma minuta interna sugeriu que o conteúdo poderia ativar “gatilhos emocionais e psíquicos” entre crianças e adolescentes e sua circulação deveria ser vinculada a classificação indicativa. Rodrigues tornou a minuta pública após a demissão, e acusou a instituição de tentar impedir o autor Airton Souza de promover seu livro nas unidades do Sesc, como é praxe entre os vencedores. Também sugeriu que o Sesc pretendia acabar com a comissão independente que escolhia os vencedores, para ter maior controle dos livros selecionados.

Em nota, o serviço afirmou que as denúncias “não têm fundamento”, e que “sempre se pautou pela imparcialidade, com decisão soberana de suas comissões julgadoras”. Por telefone ao GLOBO, a assessoria também negou que irá alterar o processo de escolha dos vencedores.

Parceira do prêmio desde a criação, o Grupo Record se manifestou na época em uma nota na qual pedia mais transparência sobre as decisões do Sesc.

FONTE: JORNAL O GLOBO

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